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Distrito de Lisboa atingido pelas piores inundações desde 1983
Sara Martins Silva, 30 anos e quatro filhos, morreu ao volante de um Ford Fiesta, quando foi arrastada pela corrente do rio Jamor, em Belas, Sintra, na manhã de ontem. Ao lado seguia a irmã, Zília Martins Silva, 29 anos, que ontem à noite continuava desaparecida. Presumivelmente, morreu. Deixa um filho.
As autoridades procederam a intensas buscas nas margens do rio, mas tiveram que suspendê-las durante a noite, “devido à falta de visibilidade e à forte corrente”, justificou ao 24horas o segundo comandante da Protecção Civil de Lisboa, Dinis Jesus.
Sara foi a única vítima mortal confirmada pelas autoridades das fortes chuvadas que atingiram o distrito de Lisboa durante a madrugada de ontem. Oficialmente, a irmã estava desaparecida. (…)
Domingas Maria foi uma das moradoras da Rua Alexandre Herculano, em Belas, que assistiram à morte das irmãs. “Nós ouvimos um estoiro por volta das 6h40 e fomos à janela. Vimos uma grande enxurrada que corria em direcção ao rio e as duas raparigas no carro. Ainda fizemos sinal para elas recuarem, mas ela não ligou e arrancou. Depois ainda puxou o travão de mão, mas perdeu o controlo do carro.
Ouvimos os gritos e vimos o carro a rodopiar três vezes até ser levado pela corrente, passando pela parte do muro que caiu esta noite. Foi horrível”, contou ao 24horas.
Ângela Patrícia, outra testemunha disse ainda que viram a condutora, Sara, a “desapertar o cinto” da pendura, daí que Zília tenha sido arrastada pelas águas.
As forças de segurança não tiveram mãos a medir. Houve ao todo 1360 ocorrências registadas, 72 pessoas foram resgatadas e contam- se 44 desalojados, segundo balanço da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC). Nas operações de socorro do distrito de Lisboa estiveram envolvidos 2914 homens, 900 veículos, um helicóptero, três botes, além de um grupo de reforço do distrito de Leiria.
Ana Lencastre, directora do Departamento de Protecção Civil municipal de Lisboa, diz que as chuvadas coincidiram com a subida da maré, “facto que dificultou o escoamento das águas e provocou mais inundações”. No final do dia de ontem, os distritos de Faro, Portalegre, Évora, Setúbal e Beja encontravam-se em alerta laranja,
devido à previsão de chuvas fortes.

 24horas, 19 de Fevereiro de 2008

 

Duas famílias contam ao 24horas como escaparam com a vida à fúria das águas do Rio Trancão
Duas famílias de Sacavém, no concelho de Loures, viveram anteontem momentos de grande aflição quando foram surpreendidos pela chegada das águas que galgaram o rio Trancão e invadiram as suas casas.
“Eram cinco da manhã e acordei sobressaltado com um barulho vindo da casa de banho. Era a água a sair e apercebi-me de que era uma inundação”, relata José Carlos ao 24horas, morador num rés-do-chão da Rua José Luís Morais, uma das ruas de Sacavém afectadas pelo temporal de segunda-feira.
Depois de ajudar a mulher e o filho de 5 anos a sair de casa e procurar refúgio numa casa de uma vizinha, do outro lado da rua, José ainda voltou a casa para tentar salvar alguns bens e documentos.
Mas acabou por levar com uma forte enxurrada: “Vi me numa grande aflição. A água veio com muita força e atirou-me ao chão. Foi uma sorte sair vivo disto, podia ter batido com a cabeça na parede e aí era o meu fim”, conta José.
A vizinha Olívia Nascimento, 54 anos, mora no lado esquerdo com os dois filhos, Bruno, de 19 anos, Carlos, de 17. A moradora foi também foi apanhada de surpresa: “Foi o meu sobrinho que me salvou. Se ele não me tivesse acordado tinha morrido afogada dentro do meu quarto. Foi tudo muito rápido, parecia um tsunami.”
Devido à força das águas, a porta da entrada ficou bloqueada e as duas famílias foram
obrigadas a procurar abrigo no vizinho do primeiro andar.
José pega numa fita métrica e mede desde o chão da casa – ligeiramente abaixo do nível da estrada -, até à linha marcada pelos detritos na parede: “Um metro e se setenta e dois centímetros.”
Mais de oito vezes acima do que a marca atingida pelas cheias de Setembro do ano passado.
Por causa do sucedido Olívia afirma ter “muito medo” de regressar a casa quando esta estiver limpa.
José nem quer ouvir em voltar a habitar aquela casa:
“Vim para aqui há cinco anos, tinha o meu filho apenas um mês e fiz um grande esforço para ter uma casa bonita. Agora fiquei sem nada. O meu filho podia ter morrido aqui, tão depressa não quero voltar”, expressa emocionada.
(…)
Desta vez, as coisas foram muito piores. “Ainda não fizemos as contas, mas desta vez será muito mais. Vamos pedir responsabilidades ao presidente da Câmara”, garante Isabel Martins.

24horas, 20 de Fevereiro de 2008 (adaptado)

 

 Vítimas das cheias tardam em retomar normalidade
Mais de um mês depois das cheias que afectaram o concelho de Loures,a 18 de Fevereiro, algumas famílias moradoras na baixa da cidade ainda fazem contas aos estragos, enquanto, “pouco a pouco”, procuram regressar à normalidade. Os habitantes apontam o dedo à construção da nova ponte sobre o rio de Loures, que consideram ter aumentado o efeito das inundações.
Mariana Barbosa, residente na Rua da República, estima ter tido um prejuízo de cerca de quatro mil euros. Na sua casa, alguns móveis e electrodomésticos “ficaram completamente destruídos”. Enquanto limpa a janela, a moradora relata que não recebeu qualquer ajuda, mas admite que também não pediu nada, por ter um seguro que “deu para cobrir uma parte dos prejuízos”.
Há pouco mais de um ano, foi construída uma nova ponte sobre o rio de Loures, junto à baixa da cidade. A moradora afirma que na altura da construção foi assegurado que “a obra iria prevenir cheias tão fortes, mas isso não veio a acontecer”. Mariana Barbosa defende que “a Protecção Civil deveria actuar mais a nível de limpezas tanto da ribeira, como de colectores”, descrevendo que a população “até vê pela quantidade de lama e de canas que vêm com a água”.
Apesar de já ter passado mais de um mês, as imagens das cheias ainda permanecem vivas na memória de alguns moradores. Maria da Luz e Adelino, dois irmãos, perderam “tudo” o que tinham e relatam que lhes é difícil estimar os prejuízos. “Só nos sobrou uma cama de ferro. Ficou tudo destruído”, conta Maria da Luz. A sua casa ficou “completamente alagada” e, logo na noite seguinte, o casal teve de ir dormir a uma pensão de Lisboa, mas a estada foi curta.
“Naquele dia, não tínhamos condições para dormir, mas ao outro dia começámos as limpezas, descreve. O regresso à normalidade “ainda não está previsto”. Maria conta que o seu irmão “ainda tem noites em que não dorme nem come”. “Foi um trauma muito grande. Cada vez que chove, ele fica aflito”, relata.
Tal como a sua vizinha Mariana Barbosa, Maria da Luz considera que a construção da nova ponte sobre o rio de Loures veio agravar a ocorrência de cheias. “Aquelas obras só vieram complicar ainda mais e prejudicar os moradores”, afirma.
Lisete Silva foi outra moradora que ficou com tudo destruído, estimando o prejuízo em 15 mil euros. A sua filha, Odete Silva, descreve que a mãe “ainda não se recompôs”. “Do andar de baixo só sobraram duas camas e o frigorífico. Por sorte, conseguimos levar as roupas para o andar de cima”, conta.
A moradora elogia o apoio e a disponibilidade da Junta de Freguesia de Loures para a ajudar. “Ofereceram-nos tintas e cimento, e ainda estiveram cá a ajudar–nos nas limpezas”, conta.
A Câmara Municipal de Loures angariou alguns móveis que armazenou em dois armazéns, um em Sacavém e outro no bairro da Junqueira, em São Julião do Tojal. Como ficou sem móveis, a moradora pediu alguma mobília à Junta, mas conta que quando chegou ao armazém para ir recolhê-la ficou “um pouco decepcionada”.
As cheias do dia 18 de Fevereiro causaram um prejuízo de 20 milhões de euros e deixaram desalojadas 136 pessoas.

Jornal de Notícias, 02 de Abril de 2008

 

Obras para evitar novas cheias
O presidente da Câmara de Coimbra, Carlos Encarnação, já pediu ao presidente da Águas de Coimbra, Jorge Temido, que estude soluções para evitar a repetição de cenários como o de domingo, em que a Baixa da cidade ficou alagada na sequência de fortes chuvas.
A Baixa carece de “obras de absoluta urgência”, defendeu o autarca, lembrando que a sua realização está dependente de um “financiamento extraordinário” (…)
“São intervenções muito onerosas. É importante dizer ao Ministério do Ambiente que estas soluções têm de ter acolhimento no QREN”, reiterou o presidente social-democrata, já à margem da sessão.
As cheias que anteontem atingiram o coração da Baixa mereceram comentários de diferentes bancadas. O socialista Álvaro Seco aproveitou um título do “Diário de Coimbra” – “Meio metro de água na Igreja de Santa Cruz” – para gracejar quanto ao impasse do projecto Metro Mondego: “Já que não temos o Metro em Santa Cruz, temos pelo menos meio metro”.
(…)

Jornal de Notícias, 23 de Setembro de 2008

 

Pouco mudou um ano após acidente que vitimou duas irmãs em Belas
A 18 de Fevereiro de 2008, um automóvel onde seguiam duas irmãs caiu à ribeira do Jamor na sequência do mau tempo e das cheias que atingiram esta localidade do concelho de Sintra.
A queda de um muro que separa o rio da Estrada Nacional 117 (EN117) provocou o arrastamento, por força das águas, do veículo onde seguiam as duas mulheres.
Passados doze meses, o muro continua por arranjar e foi substituído por um rail metálico, a EN117 permanece sem passeios que possibilitem aos peões circular em segurança e os moradores e comerciantes da zona lamentam a falta de intervenção no local.
Alguns moradores e comerciantes do local adiantaram à Lusa que apenas na sexta-feira [13 de Fevereiro] a Câmara de Sintra trocou os pinos brancos e vermelhos, que se encontravam no local desde o fatídico dia, e que substituíam parte do muro que ruiu, por um rail metálico.
(…)
Um ano após o acidente é visível a degradação do muro ao longo de várias centenas de metros, parte dele substituído por pinos vermelhos e brancos com uma altura de 40 centímetros.
(…)
Segundo a Estradas de Portugal, o muro danificado aquando do acidente é propriedade particular, tendo o respectivo proprietário sido notificado para proceder à devida reparação.
(…)
A Lusa tentou contactar o presidente da câmara de Sintra, Fernando Seara, mas até ao momento o autarca mostrou-se incontactável.

 Sol, 17 de Fevereiro de 2009 (adaptado)

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